Os efeitos do exercício físico em pacientes com câncer de mama

Muitos estudos tem sido realizados afim de demonstrar os efeitos benéficos de um estilo de vida saudável em pacientes com diagnóstico de câncer de mama. A realização de exercícios físicos e a mudança na dieta, são os fatores mais explorados.

Os hábitos de vida passaram por uma grande mudança nas últimas décadas. Apesar de haver uma maior cobrança estética e uma cultura de “culto ao corpo”, principalmente nas grandes metrópoles, também pode ser observado um maior sedentarismo e alimentação inadequada. Muitos relacionam isso a falta de tempo, estresse diário, a grande oferta de “junky food” e alimentos industrializados.

Estudos avaliando a interação da atividade física, tem sido cada vez mais frequentes e já demonstraram diminuição nos níveis de insulina, reação inflamatória e melhora da imunidade celular, de forma a diminuir o risco de câncer de mama. Quando já na presença da doença, tem sido associado com o modificação do estágio da doença, índice de massa corporal e status dos receptores estrogênicos .

O START (Supervised Trial of Aerobic versus Resistance Training) foi um estudo canadense, no qual participaram 242 mulheres com diagnóstico de câncer de mama recrutadas de 2003 a 2005 e acompanhadas por um período mínimo de 7,5 anos. Elas foram divididas em 3 grupos com o objetivo de serem avaliadas quanto ao efeito do exercício físico durante a quimioterapia.  O primeiro grupo as pacientes mantiveram apenas os cuidados habituais, o segundo grupo foi formado por aquelas que receberam exercícios aeróbicos supervisionados, e o terceiro e último grupo formado por mulheres com exercícios de resistência. Esse estudo teve como objetivo principal avaliar o tempo de vida livre de doença, e como objetivos secundários a sobrevida global, a vida livre de doenças a distância e o tempo de vida livre de recidiva.

Existem várias possibilidades para explicar porque o exercício durante a quimioterapia pode melhorar os resultados dessas pacientes.

Uma delas é que exercício pode auxiliar na conclusão do tratamento quimioterápico, sem necessidade de alterações nas drogas e/ou de sua doses. Outra explicação possível é que a atividade física parece potencializar o efeito das drogas utilizadas na quimioterapia, por ter uma influência na distribuição e metabolismo da mesma

Os exercícios de resistência aumentam a força muscular em 25- 30%, e o índice de massa magra, o que comprovadamente está ligado a menores taxas de mortalidade na população geral. Os exercícios aeróbicos, além de levar ao emagrecimento, previnem o ganho de peso. O ganho de peso, mais precisamente o aumento de gordura corporal, em pacientes diagnosticadas com câncer de mama esta associado a recorrência precoce da doença e menores taxas de sobrevivência. Uma dificuldade desse tipo de estudo é no recrutamento e aderência das pacientes devido aos efeitos colaterais do tratamento quimioterápico.

O estudo START  fornece os primeiros dados aleatórios para sugerir que acrescentar exercícios à quimioterapia padrão pode melhorar os resultados do câncer de mama.

Em relação a questão nutricional, um grande estudo foi realizado e avaliou que uma dieta com baixo teor de gordura pode melhorar o tempo de vida livre de recorrência da doença, em um grupo de pacientes com câncer de mama na pós-menopausa.

Outros três grandes estudos em andamento estão avaliando os resultados das mudanças do hábito de vida em pacientes com câncer, visto que cada vez mais esta relação esta sendo comprovada. Essas pesquisas pretendem valorizar cada vez mais a importância de um estilo de vida saudável e causar um grande impacto no campus do manejo não só do câncer como também de diversas outras doenças.

Apesar de ainda não haver nenhum estudo que comprove que o exercício depois de um diagnóstico de câncer pode alterar o curso da doença ou prolongar a sobrevivência, a adoção de um estilo de vida saudável é um assunto cada vez mais em voga e defendido por todas as áreas da saúde.

A prática de exercícios diária, uma alimentação de baixa caloria, rica em verduras, frutas e vegetais, não fumar, não ingerir bebida alcoólica em excesso, manter-se dentro do peso ideal para sua idade, são medidas simples que podem fazer toda a diferença.