A Epidemia do Ebola

O Ebola é uma doença com taxa de mortalidade extremamente elevada – até cerca de 90%. Geralmente ocorre durante surtos em regiões tropicais da África subsaariana. O surto do vírus ebola desse ano já é considerado o maior surto desde 1976, quando foi registrado o primeiro caso. A frequência dos surtos reconhecidos tem aumentado desde 1990. Nunca houve casos humanos fora da África, mas já apareceram casos em macacos importados nos Estados Unidos e Itália.

A febre hemorrágica ebola (FHE) ou Ebola é uma doença provocada pelo vírus do ebola, e está entre os patógenos mais virulentos dos seres humanos, causando febre hemorrágica grave que se assemelha a choque séptico fulminante.

Os sintomas têm início súbito, duas a três semanas após a infecção, e se assemelham aos da gripe, caracterizados por fadiga, febre, dor de cabeça e dores nas articulações, musculares e abdominais. Vômitos, diarreia e anorexia são também sintomas comuns. Entre os sintomas menos comuns estão a inflamação da garganta, dores no peito, falta de ar e dificuldade em engolir. Em cerca de metade dos casos os pacientes apresentam erupções na pele. Os sintomas persistirem durante os próximos dias, acompanhados do aparecimento e agravamento progressivo da prostração, letargia e hipotensão. Os primeiros sintomas de FHE podem ser semelhantes aos de malária, dengue ou outras doenças tropicais.

Todas as pessoas infectadas mostram sintomas do envolvimento do sistema circulatório. A fase hemorrágica pode se manifestar através de olhos avermelhados ou pela presença de sangue no vômito, na tosse, urina ou fezes. Existem casos de hemorragias nas pregas da pele e das mucosas como nariz e gengivas. As hemorragias intensas são raras e geralmente restritas ao sistema digestivo. Sintomas hemorrágicos indicam um agravamento do prognóstico e a perda de sangue pode provocar a morte. Nas epidemias observadas, todos os casos com forma hemorrágica evoluíram para morte.

A transmissão entre humanos pode ocorrer através de contato direto com o sangue ou fluídos corporais de uma pessoa ou animal infectado, ou por contato com equipamento médico contaminado. Os vírus são capazes de persistir no sémen de alguns sobreviventes até sete semanas, o que possibilita o contágio através de relações sexuais. É provável que também ocorra transmissão através de exposição oral ou conjuntiva. A doença não é transmitida por via aérea de forma natural, no entanto, pode ser transmitida através de gotículas inaláveis. Devido a esta potencial via de transmissão, estes vírus são classificados como armas biológicas.

Durante um surto, as pessoas em maior risco são os profissionais de saúde e aqueles em contato com os infectados. É necessário o uso de vestuário de proteção apropriado e a equipe médica é aconselhada a usar luvas de látex e filtro respiratório.

Na suspeita da doença é importante a história recente de viagens e de exposição à vida selvagem. O diagnóstico é confirmado através da detecção no sangue ou em outros fluidos corporais de antígenos virais por ensaio imunoenzimático (ELISA) ou sequências específicas de RNA de transcrição reversa cadeia da polimerase (RT-PCR).  Durante um surto, geralmente não é praticável isolar o vírus.

A prevenção é possível utilizando vestuário de proteção adequado, como máscaras, luvas, batas, óculos, e isolamento do equipamento.  A lavagem das mãos é igualmente importante, assim como evitar o contato com sangue ou secreções corporais infectados, incluindo a dos mortos.

A quarentena é geralmente eficaz na diminuição da velocidade de propagação. As autoridades geralmente colocam de quarentena as áreas onde a doença ocorre e/ou as pessoas com suspeita de infecção pelo vírus.

Ainda não está atualmente disponível qualquer vacina para os seres humanos.

O tratamento consiste em cuidados paliativos: prevenir a desidratação, manutenção dos níveis de oxigênio, a gestão da dor, e administração de medicamentos para o tratamento de infeções secundárias.