Uma em cada dez mulheres que fazem mamografia para verificar a presença de tumor na mama recebe diagnóstico positivo sem ter o câncer. Este é o resultado de um estudo de dez anos conduzido por pesquisadores suecos e publicado na revista médica “British Medical Journal”. O excesso de diagnósticos resulta em mulheres sofrendo e se submetendo a tratamentos desnecessariamente.

O estudo acompanhou, desde 1976, 42 mil mulheres que participaram de testes para avaliar os exames de detecção de câncer, em Malmo, na Suécia. As participantes foram divididas em dois grupos: um era submetido aos exames de mamografia e outro ficava apenas sob controle clínico de especialistas – sem fazer o exame. Ambos os grupos apresentavam igual tendência a desenvolver o câncer de mama.

Os pesquisadores verificaram que houve um índice 10% maior de diagnósticos positivos entre as mulheres que faziam a mamografia. Segundo os pesquisadores, o excesso de diagnósticos positivos de câncer de mama decorrente da mamografia pode ser resultado da identificação de casos que nunca viriam à tona se a mulher mantivesse acompanhamento clínico – muitos deles provavelmente nem chegariam a progredir.

- É fato que a mamografia salva muitas vidas. Mas o exagerado índice de diagnóstico deve ser considerado nas futuras discussões sobre as implicações do câncer de mama na saúde pública e clínica – comentou a médica Sophia Zackrisson, do Hospital Universitário de Malmo.
Modificado em: 05/04/2006